quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Soneto de Amor Maior





Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.


E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo


Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.
Vinícius de Morais

2 comentários:

  1. eu acho esses poemas do Vinícius de Morais difícil de compreender, mas a sonoridade deles é o que mais impressiona

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  2. Eu gostei da antítese contida nesse poema, que nos mostra os sentimentos de uma pessoa que ama. A paixão do eu-lírico é tão intensa que o faz sentir algo tão contraditório que acaba que o sentimento no fim se completa.

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